Hoje, dia 1º de dezembro, é o Dia Mundial de combate à AIDS e isso nos faz lembrar que a síndrome já atingiu no Brasil mais de 500 mil pessoas, desde a sua descoberta em 1980 (dados colhidos pelo Boletim Epidemiológico de 2010). Além da AIDS, as doenças sexualmente transmissíveis ainda são um grande risco para muitas pessoas que transam sem proteção.
As campanhas nacionais enfraqueceram sua presença e as únicas forças de prevenção são muito localizadas. Saúde Pública, ONG’s e indústria de preservativos se reúnem em oficinas de educação sexual para públicos de diversas idades e orientações sexuais de forma constante, mas muito ainda pode ser feito, inclusive pelo mercado erótico que está diretamente ligado com a sexualidade.
Fornecedores e lojistas podem ser unir em inúmeras formas de ações promocionais em torno do sexo seguro. Basta colocar a criatividade a serviço da disseminação da prevenção como qualidade de vida e sexo saudável. Estimular o uso de preservativos até mesmo nos vibradores e próteses pode ser um bom começo. Além de preservar o produto e dar maior durabilidade, a garantia de higiene é total.
As possibilidades são inúmeras e muito divertidas. Produtos preventivos hoje são tão lúdicos quanto são os sexy toys e tão envolventes como a cosmética íntima. Sabores, cores, funções alcançaram os preservativos sempre desenvolvendo a idéia de um jogo de cumplicidade entre os pares de uma relação sexual.
Bons exemplos podem ser citados. Esse ano, o Brasil se destacou por ser o único país a ter uma calcinha que permite o sexo oral mais seguro. Provocante como uma tanga de lacinhos laterais, a Oralsex possui uma fina camada de látex que protege e deixa passar o calor. A sensibilidade do toque da língua é quase real. A novidade “caiu como uma luva”, porque no primeiro semestre, a ampla divulgação mundial de uma pesquisa científica da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, revelou que a maior causa de câncer na garganta e bucal é a infecção do vírus HPV tipo 16, transmitido por sexo oral. Produzida pela Cia Sensual, fabricante e distribuidora de Sapucaia do Sul (localizada a 30 km de Porto Alegre, Rio Grande do Sul), a Oralsex foi a vedete da vez nas feiras eróticas atraindo a atenção de toda a imprensa. Mais de 80 mil unidades já foram vendidas em sex shops, lojas de lingerie e motéis de todo o país. “Estamos agora lançando as calcinhas com aromas de menta, chocolate e morango”, conta Marcos Ramos, diretor da Cia Sensual.
Em Aracaju, Sergipe, a loja virtual Discreto Prazer faz a sua parte. No ar desde maio, já participou de três eventos na cidade. Em junho, mês de grandes festas típicas, a Discreto Prazer distribuiu preservativos e panfletos educativos para os forrozeiros de plantão do Arraiá do Povo, na Orla de Atalaia e no Forró Caju, na Praça dos Mercados. Em agosto foi a vez da 10ª Parada LGBT de Aracaju.
Jovem equipe da Discreto Prazer sai às ruas divulgando a loja virtual e fazendo campanha para um sexo mais seguro
“Ao mesmo tempo em que fazíamos a divulgação da nossa empresa, as pessoas eram orientadas sobre a importância do uso do preservativo. Sempre em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe que nos fornece o material promocional que foi distribuído. As ações estão registradas em nosso perfil e em nossa Fan Page do Facebook” diz Fernanda Oliveira, proprietária da Discreto Prazer.
Em Campinas, interior de São Paulo, a boutique sensual Amore Totale preferiu participar de um evento com temática relacionada à sexualidade responsável com parte da renda revertida ao Centro Corsini que presta apoio multidisciplinar aos portadores de HIV. A palestra “Um espaço para sexualidade” fez parte da incrível programação do Espaço Ponto Consciente, em Valinhos, que tem como proposta promover consciência e bem estar com atividades relacionadas ao desenvolvimento pessoal, à arte e a conhecimentos que contribuam para a melhoria de qualidade de vida.
O desafio está lançado e as armas já estão disponíveis. O mercado erótico pode ser um canal poderoso de educação sexual e formação de cultura do autocuidado. A escolha por fazer a diferença e optar por ações de responsabilidade social é um caminho saudável que outros segmentos da economia já tomaram e parecem não terem se arrependido.
Mais do que auxiliar as pessoas é uma tática eficiente de aproximação e desmistificação das intenções dos negócios.
Fonte: Revista Sexshop & Negócios
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