Rio – Trabalhar em uma loja de produtos eróticos já foi tabu para muito profissional do setor. Mesmo com salários e comissões atraentes havia uma certa resistência. Mas os tempos mudaram e a procura hoje por uma vaga impressiona.
Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme), o segmento gera mais de 100 mil vagas – diretas ou indiretas – em todo o país, sendo que 80% das oportunidades são ocupadas por mulheres.
Segundo Roberta Benevenuti, proprietária da Hot Rio (boutique sensual), os profissionais de vendas começaram a ver este tipo de comércio como algo comum e com ganhos em termos de comissão tão atraentes quanto uma loja comum. “No passado quem ia a uma loja deste tipo, fazia escondido e sempre alegava que era para uma terceira pessoa o produto. Hoje a situação é completamente diferente, tornou-se comum casais buscarem um sex shop para valorizar a relação”, explica a empresária que irá inaugurar uma filial de sua loja no Rio, em dezembro.
Mesmo nos novos tempos um fator é fundamental: a qualificação. “Não basta a experiência em vendas, é preciso conhecer bem o setor e os produtos que são comercializados. No nosso caso, fazemos um treinamento de cerca de 22 horas com o profissional, mostrando como deve proceder proceder e a forma de abordar o cliente. Se a pessoa tiver vontade e souber vender pode receber por mês até R$ 3 mil”, garante Roberta afirmando que não há limite de idade para ser vendedor.
“Não é só nas vendas diretas que existem oportunidades,as vendas indiretas também têm um grande número de pessoas envolvidas. Como trabalhamos com lingerie, contamos com um volume expressivo de pessoas que vendem nossos produtos, formado em sua maioria por mulheres”, conta.
Maria Clara Moreira, 33 anos, é um exemplo de quem teve que superar o preconceito tanto interno quanto familiar ao aceitar a vaga de vendedora em um sex shop. ” Tinha acabado de me separar e perdido o emprego. Tudo ao mesmo tempo. Pensei muito quando apareceu a oportunidade de trabalho, até pela minha formação religiosa. Mas como precisava me sustentar, acabei aceitando. Fiquei no emprego por quase dois anos e não me arrependo. Fiz amizades e nunca levei cantada dos clientes, sempre me trataram com respeito”, diz.
Na avaliação de Roberta Benevenuti um bom profissional de vendas pode atuar em qualquer segmento, independente de religão. “Um exemplo que formação religiosa não é empecilho, é um dos nossos funcionários, ele é evangélico e não deixa de ser um dos bons vendedores que temos”, conclui.
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