Tássia Correia

Raul Spinassé | Agência A TARDE

Vendas crescem 15% ao ano

Vendas crescem 15% ao ano

O interesse começa com a troca de olhares. Pedidos  tímidos e sussurrados, quase ao pé do ouvido. Ela tenta conduzir as apresentações  com descontração, mas o clima é  comum em um primeiro encontro e, por isso, evita-se olhar diretamente o rosto um do outro. Um jogo que perdura até ela avistar o objeto de desejo: “Era exatamente isso que  queria”, diz,  finalmente, a consumidora. No balcão, uma “borboleta” rosa vibra em três velocidades diferentes.

Num sex shop, nenhum desejo humano soa estranho. E  engana-se quem pensa que a fantasia sexual reina entre os homens. São as mulheres as  principais consumidoras de artigos eróticos no País. A borboletinha vibradora é um dos mais procurados nas lojas do ramo em Salvador e serve, com auxílio de uma cinta, para estimular o prazer feminino, embora também seja utilizada por homens.

Na lista dos mais vendidos estão também os cosméticos: géis excitantes e retardantes e uma vela com cera que vira óleo de massagem e não queima. “Dá para fazer uma brincadeira com o parceiro, por que ele vai pensar que queima, mas é apenas morninho”, explica a vendedora. Nas lojas, cada produto ganha alguns minutos de explicação: como, onde e por que usar. Uma consultoria mais que necessária se lembrarmos que hoje há mais de 12 mil itens “no mix do sex shop”.

Romântico – Entre tantas opções, há espaço para todos os gostos e perfis. “Não curto muito isso  de bater e apanhar. Sou mais de cobrir a mulher com uma chuva de pétalas de rosa”, diz o supervisor da área de construção civil Átila Roes, 54 anos. Depois de um tour, ele deixa a loja com um pacote de pétalas artificiais, géis estimulantes e um plano romântico: preparar uma noite especial para a esposa neste fim de semana.

Paulista,  conta que aprendeu por lá  a não ter vergonha de inovar nas relações sexuais. “Ela (uma namorada) tinha um kit de primeiros socorros e me ensinou como usar”, brincou. Um caminho com garantia de sucesso,  garante a presidente da Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme), Paula Aguiar. “A brasileira não é uma mulher que compra porque que ter orgasmo sozinha. Ela quer presentear o parceiro, surpreender o marido,  sair da rotina, ter uma noite especial”. Fica a dica.