Tássia Correia

O interesse começa com a troca de olhares. Pedidos tímidos e sussurrados, quase ao pé do ouvido. Ela tenta conduzir as apresentações com descontração, mas o clima é comum em um primeiro encontro e, por isso, evita-se olhar diretamente o rosto um do outro. Um jogo que perdura até ela avistar o objeto de desejo: “Era exatamente isso que queria”, diz, finalmente, a consumidora. No balcão, uma “borboleta” rosa vibra em três velocidades diferentes.
Num sex shop, nenhum desejo humano soa estranho. E engana-se quem pensa que a fantasia sexual reina entre os homens. São as mulheres as principais consumidoras de artigos eróticos no País. A borboletinha vibradora é um dos mais procurados nas lojas do ramo em Salvador e serve, com auxílio de uma cinta, para estimular o prazer feminino, embora também seja utilizada por homens.
Na lista dos mais vendidos estão também os cosméticos: géis excitantes e retardantes e uma vela com cera que vira óleo de massagem e não queima. “Dá para fazer uma brincadeira com o parceiro, por que ele vai pensar que queima, mas é apenas morninho”, explica a vendedora. Nas lojas, cada produto ganha alguns minutos de explicação: como, onde e por que usar. Uma consultoria mais que necessária se lembrarmos que hoje há mais de 12 mil itens “no mix do sex shop”.
Romântico – Entre tantas opções, há espaço para todos os gostos e perfis. “Não curto muito isso de bater e apanhar. Sou mais de cobrir a mulher com uma chuva de pétalas de rosa”, diz o supervisor da área de construção civil Átila Roes, 54 anos. Depois de um tour, ele deixa a loja com um pacote de pétalas artificiais, géis estimulantes e um plano romântico: preparar uma noite especial para a esposa neste fim de semana.
Paulista, conta que aprendeu por lá a não ter vergonha de inovar nas relações sexuais. “Ela (uma namorada) tinha um kit de primeiros socorros e me ensinou como usar”, brincou. Um caminho com garantia de sucesso, garante a presidente da Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme), Paula Aguiar. “A brasileira não é uma mulher que compra porque que ter orgasmo sozinha. Ela quer presentear o parceiro, surpreender o marido, sair da rotina, ter uma noite especial”. Fica a dica.
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18:44
Em Natal, RN não é diferente. As mulheres são cerca de 90% dos nossos clientes ativos. Muitas vezes, elas vem buscar produtos encomendados pelos seus maridos ou parceiros, que apreciam muitos os cosméticos e estimuladores mas ainda sentem-se envergonhados para entrar numa sex shop.
Entre os homens que frequentam a nossa loja, a maioria é de homens que não são naturais do RN, ou seja, vem de outros estados e talvez, tenham sido educados com parâmetros culturais um pouco mais abertos para essas questões.