Empreendedor Individual: alagoanos investem em negócio próprio | ABEME

Empreendedor Individual: alagoanos investem em negócio próprio

Post image of Empreendedor Individual: alagoanos investem em negócio próprio
>> Alagoas , Destaques 1 comentarios

Após um ano e meio em Alagoas, 13 mil pessoas já aderiram ao programa

Gazetaweb – Wanessa Oliveira

Quem nunca sentiu vontade, em certo momento da vida, de deixar o emprego e investir em um negócio próprio? A depender de programas criados para estimular a iniciativa empresarial, a falta de renda e os altos impostos já não são mais uma desculpa. Após um ano e meio em vigor em Alagoas, o Microempreendedor Individual começa a deixar de engatinhar e ensaia seus primeiros passos já em velocidade, com 13 mil pessoas cadastradas nos mais variados setores.

Do ‘tio’ do carrinho de pipoca à cabeleleira que faz a melhor escovinha do bairro, o MEI abrange 439 tipos de negócios e é a alternativa mais viável aos iniciantes por ser conhecido como um estágio anterior ao microempreendedorismo. Na prática, quem quer se cadastrar precisa receber até R$ 36 mil ao ano e contratar até um funcionário. Em troca, o programa traz ao proprietário uma taxa única a um valor simbólico, que permite, além do acesso a todos os benefícios do INSS, o necessário registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ).

Essa formalização ao CNPJ foi o divisor de águas para os negócios da proprietária de um sex shop, Claudi-N Lobo. Há cerca de 10 anos vendendo roupas de ginástica, todas confeccionadas no ateliê improvisado em um cômodo de casa, Claudi-N relata ter sido repentina a decisão de avançar a fase. “Estava conversando com a minha filha e ela disse: ‘mãe, vamos abrir uma loja?’. Alguns dias depois estávamos viajando para São Paulo e Fortaleza para comprar o material necessário”, conta. “Eu tinha juntado um dinheiro das malhas que vendia para viajar para os Estados Unidos e terminei adiando”.

Com o material em mãos – entre fitness, lingeries e produtos do sex shop-, e o ponto comercial alugado, restava deixar a informalidade. “Fui ao Sebrae, me inscrevi no MEI e recebi na hora meu CNPJ”, comenta. “Nunca imaginei que o CNPJ abriria tantas portas. É uma mão na roda. Hoje compro do fabricante por um preço mais baixo, trabalho com todos os cartões de crédito e com notas fiscais”, conta. “Ligam para mim do Rio de Janeiro, de São Paulo, para que eu vá até suas fábricas conhecer os produtos”, conta.

De acordo com a diretora técnica do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Renata Fonseca, a emissão de notas fiscais possibilita, de fato, abertura de mercado. “Na verdade há um ciclo, seja no meio rural ou no urbano. Quando formalizados, os pequenos agricultores podem vender para o governo, que transforma aquele alimento em merenda escolar. Já no urbano, o programa favorece da costureira, ao encanador e ao pintor”, exemplifica.

Preconceito

Embora o crescimento latente dessa modalidade já seja conhecida entre fornecedores e bancos, ainda há alguns entraves enfrentados pelos empreendedores. Claudi-N conta que, ao procurar uma agência bancária particular, para trabalhar com cartões, terminou por ser destratada por uma gerente.

“Quando informei sobre meu interesse e disse que era empreendedora individual, a gerente respondeu: ‘Nosso banco não tem interesse em trabalhar com MEI. Precisamos de pessoas que tenham pretensão de crescer’. Fiquei abismada e disse a ela que, se eu não tivesse intenção de crescer, não estava ali. E que, se ela não entendia a lógica, se cresce começando de baixo, e não de cima. Fiquei muito chateada”.

Dias depois, Claudi-N procurou outra gerente do mesmo banco. “Esta foi solícita, me tratou maravilhosamente. Fiz tudo o que precisava e, no outro dia, recebi a maquineta”.

Algum tempo depois, ela conta que recebeu um ‘cliente’. “A tal gerente passou aqui na loja e ficou olhando as vitrines. Quando olhou para o balcão e me viu ficou pasma. Entrou na loja e elogiou. Só não dei uma resposta porque tinha um cliente na hora”, emenda.

“Algumas pessoas acham que trabalhar com banco é lidar só com números, mas não, estão tratando com pessoas e precisam tratá-las bem. Eu trabalho com vendas e, na minha loja, a política é outra. Meus clientes são meus amigos. Acho que esse é o diferencial”.

Crescimento

A diretora técnica acrescentou, ainda, que embora os dados ainda não sejam os melhores, já que para cada empreendedor formalizado, há outros três informais, as perspectivas se delineiam a partir de um crescimento superior do mercado no Nordeste. “Na medida em que há uma simplificação no processo, muitos decidem se aproximar da formalidade. Com a economia aquecida e a possibilidade de financiamento em mais tempo, e com juros menores, novos empreendedores são automaticamente atraídos”, esclarece. Os três ‘campeões’ em aberturas são os varejistas de vestiário e alimentação, seguidos por manipulação.

Aomda segundo Fonseca, os inscritos pelo MEI têm mais possibilidades de crescimento e mobilidade para uma futura microempresa. “Com nome jurídico, os empreendedores abrem chances de mercado que antes não tinham. Temos, como exemplo, o caso de um empreendedor individual que abriu uma fábrica de produtos alimentícios. Pouco tempo depois de formalizar, conseguiu vender para lanchonetes e escolas e, rapidamente, já passou para microempresa”, afirma.

Claudi-N Lobo prevê que, muito em breve, também se enquadrará como microempresária. “Em conversa com meu contador, ele disse que, caso continuemos assim, não vamos mais nos encaixar entre os que recebem até R$ 36 mil ao ano, porque, graças a Deus, todos os produtos estão saindo e muito. Isso é ruim porque teremos que pagar taxas mais altas, mas é bom porque sabemos que vamos ter um rendimento que nos possibilite esse pagamento. Além de que isso vai confirmar ainda mais que o negócio, afinal, está mesmo dando certo”, comenta.

Além das facilidades com as vendas proporcionadas pela formalização de seu sex shop, a empreendedora individual relata outros fatores fundamentais que alavancaram seus negócios: o relacionamento com a clientela. Em geral, o empreendedor individual trabalha diretamente com os clientes e valoriza essa aproximação. “Hoje tenho três agendas lotadas com números”, diz.

Mas nem sempre foi assim. “Como eu fazia malhas há muito tempo, decidi me inscrever em uma academia de ginástica para pessoas que, em geral, têm dinheiro mesmo. No início, as mulheres olhavam as malhas com certo preconceito porque estavam acostumadas a comprar em grifes. Uma delas comprou um conjunto, outra resolveu observar melhor. Hoje, posso dizer que 80 a 90% das pessoas da academia compram minhas malhas”, explica.

“Acho que, além da forma que a gente trata o cliente, tem o diferencial da qualidade e do preço. Compro as malhas do mesmo fabricante que as grifes compram e a qualidade é a mesma. Só que eu vendo a 30 ou 40% dos preços que as lojas chiques vendem”, comenta. “Como não tem melhor propaganda do que o boca a boca, por vezes aparecem pessoas aqui que ouviram falar da loja por outras pessoas e, assim, a gente vai conquistando os clientes”.

Semana do Empreendedor Individual

Todos os esclarecimentos que comportam desde as orientações sobre a abertura de uma empresa até dicas para financiamentos, captação de recursos, manutenção dos negócios, marketing, além da troca de experiências, serão condensadas durante a 3ª Semana do Empreendedor Individual, que ocorre entre os dias 28 de junho e 02 de julho, em vários municípios alagoanos. Em Maceió, o evento acontece na sede do Sebrae, no centro da cidade.

Related posts:

  1. Confirmado para janeiro novo registro do Empreendedor Individual em todo o país
  2. Venda de produtos eróticos: um bom negócio
Postado por admin   @   26 June 2011 1 comentarios

Compartilhe este Post

RSS Digg Twitter StumbleUpon Delicious Technorati

1 Comentarios

Partilhe no Facebook!
Comentarios
Jul 23, 2011
13:42
#1 Claudia :

Concordo com o preconceito dos bancos referente ao MEI, é lamentável isso, mas eles só pensam em metas para um melhor PLR. Falo com propriedade, pois antes de ser empresária fui bancária mais de 8 anos de minha vida em uma financeira e hoje consigo vê as coisas de outras formas. Para eu conseguir a máquina de cartão eu mesma tive que ligar na redecard e solicitar. Porém formalizei uma bela reclamação do banco pelo péssimo atendimento.

Envie um comentario

Post Anterior
«
Proximo Post
»