
Sulamita Rosa
Gel aromatizante, velas comestíveis e lubrificantes fluorescentes são alguns dos assessórios curiosos encontrados nas sex shops e lojas de produtos eróticos. Há algum tempo atrás aderir a esses produtos para apimentar a relação era motivo de tabu, já hoje em dia pesquisas mostram que os brasileiros estão cada vez mais recorrendo a essas inovações. Em 2010 o mercado de produtos eróticos apresentou um crescimento de 17% de vendas, contra 15% de 2009.
O levantamento, realizado pela Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme) mostra que os brasileiros frequentam cada vez mais as chamadas boutiques sexuais. Segundo a presidente da Abeme, Paula Aguiar o principal avanço foi o crescimento dos itens nacionais em relação aos importados. “Os itens internacionais representavam antes 80% do consumo no Brasil, mas, apesar do dólar baixo recuaram para 65% diante do bom desempenho de vendas dos produtos nacionais. Isso mostra que os produtos brasileiros ganharam em qualidade e mantiveram-se com excelentes preços frente aos importados”, explica.
Atualmente, a abrangência do universo do ramo erótico é grande. Segundo a presidente, os tipos de públicos que consomem os produtos divergem conforme o canal de vendas. Lojas especializadas em sexualidade que ministram cursos promovem reuniões com clientes e chás de lingerie chegando a atender 75% do público feminino. Lojas de lingerie, perfumarias e presentes seguem seu padrão normal de estatística e pode atender até 80% das mulheres. Já o canal da internet segue as estatísticas do comércio eletrônico em geral, atualmente 50% a 50% homens e mulheres. “O que acontece é que independentemente de quem comprou, ou de qual canal comprou, o produto é usado pelo casal, em 95% dos casos”, explica Aguiar.
E não é preciso ir muito longe para encontrar os produtos diferentes, nesse mercado já existem os revendedores de produtos eróticos. De acordo com a presidente, atualmente existem diversos pontos de vendas espalhados pelo Brasil. “Não necessariamente são lojas, boutiques ou lounges sex, mas pode ser na cabeleireira, na esteticista, na loja de perfume, presentes ou lingerie, nas faculdades, redes sociais e sex shops virtuais. Contabilizamos 10 mil pontos de venda”, afirma.
Ainda, segundo a pesquisa realizada pela Abeme, a principal razão do consumo é para comemorar ocasiões especiais como aniversários e em seguida para surpreender o parceiro. “Tornar inesquecível este dia e sair da rotina”, diz Paula. “O crescimento se deve ao sucesso que os produtos estão fazendo nestas ocasiões para os casais. Então, o fato de serem consumidos em datas felizes e ligadas a celebração do amor já dão o tom do que esperar destes produtos”, completa.
Uma pesquisa realizada pelo Hospital das Clínicas também mostrou que no máximo 15% da população consome esses tipos de produtos. Entre os produtos mais procurados, em 2010 lideram as bolinhas explosivas conhecidas como hot balls que estouram dentro da vagina no momento do ato sexual. O segundo lugar como produto mais vendido fica o gel sabor morango para sexo oral e na sequência os géis e cremes excitantes para sexo anal. As velas, óleos de massagem e lingeries foram os produtos mais procurado pelas mulheres. Já os homens continuam a procura de produtos que aumentam o pênis e filmes adultos.
O proprietário da loja de produtos sexuais Via Sex, Luiz Fernando Gonçalves conta que o produto mais procurado no começo desse ano foi o We-fibe, lançado em 2009 e que ficou famoso no filme brasileiro De Penas Pro Ar. Em forma de “V” o assessório importado é um vibrador feminino que custa R$ 729. “Um cliente chegou procurando o produto na loja, aí começamos a comercializar”, explica.
Na boutique sexual é possível encontrar uma variedade de produtos eróticos entre eles, lingeries, géis de todas as cores e sabores, algemas e máscaras coloridas, além de outras curiosidades. Segundo Gonçalves a procura pelos produtos é grande. “Atendemos cerca de 200 pessoas diariamente. 80% do público é feminino, são mulheres que mantém um relacionamento estável”, conta. Para ele, o mercado está crescendo por que as pessoas estão mudando o pensamento em relação à sexualidade. “Tabus estão sendo quebrados, mas, muita gente ainda tem preconceito. A vergonha maior é passar da porta, mas, depois que passa vira festa”, enfatiza.
A jornalista Fernanda Mendes, 22 anos declara que não dispensa os acessórios das sex shops. “Eu sempre vou comprar alguma coisa, tive a coragem de ir pela primeira vez e agora costumo ir quase todo mês”, aprova. Casada há um ano, a jovem acredita que vale tudo para inovar o relacionamento a dois. “Os produtos ajudam a apimentar o relacionamento. Acho que se o casal tem uma mente aberta, quando o cara aceita e a mulher permite é super legal e divertido. O segredo de um relacionamento é inovar sempre”, afirma.
Para quem ainda não teve coragem de experimentar os produtos, ainda dá tempo de deixar de lado o “medo” de passar pela porta das sex shops e matar a curiosidade. “É legal bolar um jantar no final de semana e surpreender o parceiro. Mas, esse tipo de relacionamento se constrói com o tempo e depende do estilo de cada um. Fazer para agradar o outro não é legal, se a pessoa não curte é possível procurar outras inovações. Não são somente as sex shops que apimentam a relação, depende muito do casal”, declara Fernanda.
FOnte: Jornal TRibuna do Brasil
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03:00
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