Novo nicho de mercado surge com força total, apesar de alguns consumidores ainda se mostrarem tímidos na compra dos acessórios
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Vívian Lessa
Da Redação
É vencendo preconceitos e desmistificando tabus que o mercado erótico em Mato Grosso começa a se destacar. O crescimento anual registrado para o setor chega a 40%. Mesmo assim, nas chamadas “boutiques eróticas”, o movimento ainda é discreto.
A timidez e a desinformação dos consumidores são empecilhos que travam a expansão desse mercado. Em Cuiabá, poucas lojas vendem artigos sensuais e eróticos. A fraca concorrência destaca algumas empresas na cidade, que normalmente dividem o espaço do estabelecimento com a venda das tradicionais lingeries e um discreta exposição de produtos sensuais.
Na lista dos artigos mais usados pelos mato-grossenses (mulheres e homens) despontam os óleos e cremes íntimos, fantasias, produtos sensuais comestíveis entre outros acessórios para apimentar a intimidade. Além do gosto, os preços também atingem todos os bolsos, variando de R$ 15 a R$ 300, dependendo do produto.
Conforme dados da Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme), a consumo desses produtos em Mato Grosso atinge apenas 1% do que é comercializado no país, de aproximadamente, 4 milhões de unidades por mês. A presidente da entidade Paula Aguiar revela que a participação é pequena diante do comércio de São Paulo, que lidera com 51% no ranking. No entanto, ela explica que o consumo de produtos eróticos em Mato Grosso cresce a uma velocidade maior que o número de empresas atuantes na região.
“Percebemos que a população tem curiosidade e vontade de usar esses produtos”. Por esta razão, ela afirma que a internet tem sido a grande aliada para os consumidores. Conforme Paula, o mercado erótico precisa de desvencilhar dos grandes centros para chegar ao consumidor de estados do interior do país, como é caso de Mato Grosso.
A empresária de Cuiabá, proprietária da Lua de Mel Lingeries e Enxovais, Kelida Abdalla Silva, conta que o mercado tem mostrado reação. “Normalmente compro cerca de R$ 1 mil em produtos por mês para revender, mas neste fim de ano, o valor das encomendas aumentou para quase R$ 3 mil”. Ela afirma que apesar do segmento ser direcionado a todos os sexos, são as mulheres que dominam o consumo.
Entrave – A empresária Kélida Abdalla ressalta que a falta de informação tanto dos revendedores quanto dos consumidores atrapalha o desenvolvimento da atividade. Ela conta que deve trazer para Mato Grosso um curso sobre como introduzir acessórios e brinquedos eróticos na relação sexual. “É uma ideia de aguçar o consumo desses produtos. Mas para isso, devemos começar preparando os vendedores”.
Iraci Maria da Silva Ferreira é uma das funcionárias que recebeu um curso para atender bem o cliente que consome produtos eróticos. “Temos que saber tratar tanto as pessoas que são mais tímidas quanto aquelas mais descoladas”, diz Iraci que trabalha há 3 anos no segmento. A vendedora da Jogê Lingeries, Angélica Moraes, confirma que os clientes homens são os mais tímidos. “Ele costumam ligar antes de ir à loja. Já as mulheres, na maioria dos casos, perguntam sobre tudo”. Conforme ela, muitos consumidores vão comprar lingeries e acabam levando um brinquedo erótico. “As vezes usam a compra de um produto convencional como desculpa para chegar até o espaço onde tem acessórios eróticos”.
Além dos estabelecimentos, o mercado sensual ainda conta com as representantes comerciais. Essa opção, segundo a gerente da Mon Bijoux, Lucivanda Souza Sebba Fernandes, atinge os consumidores que ainda têm vergonha de sair de casa para comprar o produto. Ela conta que o abastecimento é feito em todo o Mato Grosso, e que as revendedoras incentivam o crescimento nas vendas que fica entre 30% a 40% a cada ano. “No Dia dos Namorados temos uma superação das vendas, sem esquecer do fim de ano, em que as pessoas estão pegando o hábito de fazer o amigo secreto erótico”.
Ivani Oliveira, da Erótica Sex Shop, ressalta os benefícios que esse mercado proporciona, Conforme ela, atualmente o mercado erótico tem sido uma verdadeira válvula de escape para muitos casais. “Pois percebemos que existe um interesse maior em salvar uma relação que está entrando na rotina e consequentemente no desgaste. Acredito que as pessoas têm perdido o preconceito e estão vivenciando mais sua intimidade que estava perdida”.
Ela também acredita no crescimento desse setor, tanto no número de lojas, de vendedoras de “porta em porta”, quanto na variedade de produtos. De acordo com Ivani, em Mato Grosso, o setor registrou salto grande nos últimos 20 anos. “Hoje em dia existe uma procura de 80% a mais do que há alguns anos”.
Adeptos – Para Carla (nome fictício), o uso dos produtos eróticos deixou de ser uma simples brincadeira e passou a apimentar a relação. Ela conta que há 20 anos é adepta dos acessórios. “A mulher vem entendendo que a relação sexual não pode cair na rotina e na mesmice”, diz Carla. A comerciante F.X.V conta os produtos eróticos tornaram-se uma opção para manter relacionamento com seu marido mais frequente. “Comprei por incentivo de uma amiga. Agora levo meu companheiro para escolher os produtos que iremos usar ou peço pela internet”.
O proprietário site Loja do Prazer, que atende todo o Brasil, Daniel Passos, explica que os produtos comprados online são entregues no local indicado pelo cliente. O empresário, que também atende Mato Grosso, ressalta que o mercado de produtos sensuais e eróticos está em franco crescimento há pelo menos 10 anos. “Ainda existe um pouco de preconceito, mas o consumidor mudou ao longo tempo e hoje já é normal um casal entrar em um sex shop para fazer compras”. Conforme ele, os clientes de produtos eróticos podem contar sempre com novidades. Os últimos lançamentos são loções com sabores de frutas e chocolate, calcinhas comestíveis, vibradores com bateria recarregável, produtos beijáveis. O preço dos produtos varia de R$ 20 a R$ 400.
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