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Acessórios eróticos seriam excomungados tempos atrás. Hoje, já não causam tanto furor. Prova disso é que o tema é explorado em filmes e novelas. Em cartaz no cinema, por exemplo, há a comédia De Pernas pro Ar, estrelada por Ingrid Guimarães e que alcançou a marca de 1,750 milhão de ingressos vendidos. A atriz encarna uma proprietária de sex shop que se mete em várias trapalhadas com vibradores. A sequência do longa já está garantida. Em Passione, a personagem de Gabriela Duarte, a fogosa Jéssica, era consumidora cativa de fantasias sensuais, com direito até a chicotinho – tudo para estimular o marido Berilo, interpretado por Bruno Gagliasso.
“O preconceito está se dissipando, porém falta muito para que as pessoas encarem esse assunto com tranquilidade”, atesta a publicitária Paula Aguiar, que assumiu em setembro a presidência da Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme), se tornando a primeira mulher a conquistar tal cadeira. Ela lembra bem das pedras no caminho no início da expansão do mercado erótico, ramo em que trabalha há mais de 10 anos:
– Ninguém queria o nome vinculado a produtos de sex shop. Faltava profissional para fotografar acessórios, designer de internet para elaborar os sites de venda e até provedor não aceitava hospedar lojas virtuais com esse perfil. Como nem modelos topavam posar com fantasias sensuais para divulgar a roupa, o jeito era escolher uma garota de programa bonitinha na Rua Augusta.
De lá para cá, muita coisa mudou. As mulheres se tornaram as principais consumidoras dos sex shops e passaram a representar 70% das vendas. No comércio eletrônico, elas são pouco mais do que os homens – 51%. Nas butiques de lingeries sensuais, onde os acessórios picantes ficam num espaço reservado e discreto, a frequência feminina é maioria absoluta.
Aos 43 anos, a publicitária, casada e com dois filhos moços, virou referência no setor. Está à frente de diversos estudos sobre consumo e tendência, além de um disputado seminário sobre empreendedorismo realizado na Erotika Fair – feira que acontece em abril e outubro, em São Paulo, e que oferece também atrações e vendas de produtos ao público em geral.
Comédia. No cinema, Ingrid Guimarães é dona de um sex shop
Novidades. Quem a vê de camiseta, bermuda e chinelo em Itanhaém, litoral sul, cuidando do almoço com a empregada, não imagina sua ligação com o mercado erótico. Ao falar sobre as novidades do setor, destaca o we-vibe: um vibrador anatômico que promete estimular ao mesmo tempo o clitóris e o ponto G, e pode ser usado também na relação sexual. “Os brinquedos para casal são a tendência.”
Paula entrou para o setor por acaso, no final dos anos 90, e conta que, antes de se acostumar com o arsenal erótico, cogitou abandonar o trabalho. “Meu lado conservador não aceitava esse mundo.” Fera em informática e comércio eletrônico, ela atuava como gerente de um provedor de internet e professora voluntária de computação numa entidade filantrópica para idosos e pessoas carentes. Um dia, um senhor a procurou. Queria dar de presente à namorada uma loja virtual de produtos eróticos e precisava de alguém para desenvolver o site.
Durante a proposta, o visitante incauto abriu uma maleta repleta de acessórios eróticos. Pasmada e constrangida, Paula o fez fechar a maleta rapidamente e o despachou ao marido, que é analista de sistemas e assumiria a tarefa. Nem por isso se livrou dos produtos. A pedido do marido, ela dava seus pitacos na criação da página virtual. A sua principal recomendação: não colocar imagens pornográficas no site, um costume da época.
“Achava grosseiro e desnecessário”, conta. “Sempre acreditei, como mulher, que mais importante do que as cenas de sexo explícito é investir na fantasia, no sensual.” Surgiram novos trabalhos e Paula acabou aceitando o emprego numa distribuidora de produtos eróticos. Ficou sob sua batuta a organização e o gerenciamento de todo o comércio eletrônico.
Para conseguir lidar com mais leveza com o mercado erótico, a novata decidiu encontrar o lado “positivo” na infinidade de invencionices do setor. Voltou-se às lojistas e às histórias que contavam. Descobriu casos de clientes felizes da vida porque salvaram o casamento ou fizeram o marido largar de amante ao incluir acessórios eróticos na relação a dois.
“Comecei a orientar vendedoras a trabalhar positivamente os produtos, mostrando como usufruí-los entre casal para apimentar a relação, independentemente da opção sexual.” Também se arriscou como empresária. Com uma sócia, fabricou pétalas perfumadas, incensos e lançou uma linha de lingeries sensuais. Teve, ainda, uma revendedora de produtos eróticos porta a porta, tal como no filme De Pernas pro Ar. Chegou a trabalhar com 3 mil mulheres, mas não teve fôlego financeiro e o negócio minguou.
Paula descobriu que administrar burocracia não é sua praia. “Valeu a experiência porque aprendi muito.” A partir daí, passou a pesquisar o setor. Lançou a A.T.E.N.A.S, agência de notícias e estratégia para negócios do ramo. Os números estão na ponta da língua.
Perfil nacional. A consumidora brasileira, por exemplo, compra em primeiro lugar os cosméticos sensuais, que são óleos de massagens, excitantes e géis comestíveis. Desses, estão no topo os produtos para sexo oral e o sabor campeão é o de morango. As brazucas têm perfil bem diferente das norte-americanas. Enquanto as gringas pensam no próprio prazer e investem principalmente em vibradores, as brasileiras querem melhorar sua performance e dar mais prazer ao parceiro.
“É cultural”, diz Paula. “Temos essa necessidade de agradar ao homem em primeiro lugar.” Lingeries provocantes e fantasias também fazem parte dessa peculiaridade. Com a bagagem que adquiriu, Paula lançou, numa tacada só, seis livros: dois volumes do SexShop.com – Guia de Negócios, e quatro pequenos manuais que ensinam a usar e usufruir melhor os tipos de vibradores mais vendidos no País: o rabbit, o realístico, o personal e o bullet. Alguns exemplares ainda estão à venda em sex shops virtuais.
Dar mais visibilidade ao segmento e encabeçar sua regulamentação são, portanto, seus objetivos na Abeme. Neste semestre, promete fundar a primeira sede da associação em São Paulo, oferecer cursos e criar um departamento de auxílio ao consumidor. Não ganhará nada pois sua função não é remunerada. Sua renda principal, aliás, não vem do setor. Autônoma, ganha criando sites e campanhas com o marido.
“Só posso viver assim porque ele é um grande programador e dá tranquilidade financeira”, confessa. “Mas espero poder me dedicar exclusivamente ao mercado erótico no futuro.” E já faz planos de voltar a morar na capital.
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Muito Sucesso! Nós vemos na Erotika Fair. Paula Aguiar
Gostaria de saber se vc tem vídeos explicativos para revendoras. Ex. um treinamento específico para sexshop.
Quem possui material em video de treinamento por enquanto somente Hot Flowers
01:49
Olá, acabei de colocar no ar, o site da minha sexshop virtual, e fiquei muito feliz por saber que as mulheres é que estão a frente de todo esse ofurô nacional.
Desejo muita sorte para a Paula Aguiar, e desjo que ela possa estar sempre nos passando informações úteis para crescermos todas juntas. “Enquanto há vida, há sexo…”. Há espaço para todos.