Falar de objetos confeccionados para sexo é uma tarefa difícil, mas gostosa. Cada vez mais são abertos espaços de discussão onde os brinquedos eróticos são analisados de forma séria, seja no ponto de vista mercadológico, seja observando-se a funcionalidade e beleza.

Mas esta coluna propõe uma nova e estimulante (ui!) forma de olhar para os sex toys: do ponto de vista de quem os desenvolve. Meu encontro com a Alê foi mais um desses enlaces do destino. Estive no belíssimo estande do Não Não Para na Erótika Fair, onde coordenei uma mostra de arte, e foi lá que recebi o convite de escrever aqui.

Sou recém formada em Design de Produto pela Universidade Presbiteriana Mackenzie onde desenvolvi como projeto de conclusão de curso um massageador erótico feminino, de uso clitoriano. Adoro trabalhar com o mercado erótico e não porque sexo é um tema (sim, ainda é) controverso, mas porque sou daquelas mulheres que se apaixonam pelo novo, pelo ato de desbravar (acho que se eu tivesse nascido no século 16 ia junto nas navegações).

Excluindo-se o tema sexual da profissão Design, ela ainda é muito erótica. Alguns designers não gostam de serem vistos assim, mas é fato que uma das principais funções destes profissionais é mexer diretamente com o desejo das pessoas. Produtos, seja um tênis ou uma geladeira, são desenhados para seduzir, encantar, despertar amores fugazes (é lógico que tudo isso sem perder de vista os parâmetros técnicos, funcionais, ecológicos, etc, etc…).  A verdade nua, crua e bem delgada é que somos fetichizadores.

Fetiche vem da palavra feitiço e era usada para designar objetos animados ou inanimados aos quais se atribuíam poderes sobrenaturais. Daí Projetando Fetiches. Ao desenhar, lançamos mão de feitiços e atribuímos valores a objetos (vide um candelabro elegante ou um aparelho de som robusto). É claro que tudo isso aplicado ao sexo fica muito, muito mais interessante, dado que este é um tema onde além de trabalhar questões cognitivas, pode-se trabalhar também com uma multi-sensorialidade fantástica.

Bem vindo a um mundo de cores, cheiros, texturas e fique a vontade para perguntar e comentar.  Pensar em sexo pode e deve ser uma atividade projetual e acadêmica!

Para saber mais: artigo “Design, cultura material e o fetichismo dos objetos” de Rafael Denis Cardoso. Disponível aqui