Sobre o mercado e Boutique Sensual virtual | ABEME

Sobre o mercado e Boutique Sensual virtual

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Oi Paula, tudo bem?

Sou aluna de Publicidade e Propaganda da UFRJ e todo o meu histórico profissional até hoje foi trabalhando em web. Tive uma experiência muito marcante trabalhando (na Internet) e a partir dessa experiência me surgiu a questão de pesquisar sobre sex shops virtuais. Para minha surpresa achei pouca bibliografia sobre o tema e acabei descobrindo o quanto esse mercado é lucrativo e quanto ele e ainda é “pouco” explorado no Brasil, quando comparamos com os EUA.
Estou fazendo o meu trabalho de conclusão de curso um plano de negócios de uma boutique erótica virtual.

Estou tendo uma enorme dificuldade em encontrar bibliografia sobre o tema e até pessoas envolvidas com o assunto. Gostaria de fazer uma entrevista com você e também saber mais dessa sua parceria com o Sebrae para que comecemos a entender esse mercado tão lucrativo e por outro lado tão “marginalizado”.

1) Há quanto tempo você estuda esse mercado? Qual é a sua e a trajetória da Atenas nesse meio?

Eu atuo neste mercado desde 1999 quando voltei da Espanha. Iniciei na segunda maior distribuidora de produtos eróticos do mercado brasileiro (na época), com uma loja virtual para varejo, a estratégia era de abrir mais um canal de vendas para a distribuidora. Fiquei nesta empresa até 2004, quando viajei a trabalho para a Alemanha e decidi que quando voltasse abriria novas frentes. Então nestes quase 6 anos eu atuei com marketing, vendas, atendimento, administração e e-commerce tanto para varejo, quanto para atacado.

Enfim, voltando da Alemanha fundei junto com a Cleo Lamin, uma das pioneiras do mercado brasileiro, a empresa Shakty, esta empresa trazia um novo conceito de sensualidade com pétalas de rosas, incensos e lingerie perfumada. Independente deste negócio eu continuei atuando em e-commerce tanto neste setor (minha empresa fez diversas lojas de sexshop e similares) quanto em outros tão diversos quanto lingerie e eletrônicos.

Em 2006 eu iniciei outros projetos como a Tantric (empresa de venda de produtos eróticos porta-a-porta por catálogo, também chamada sacola sexshop)e iniciei um trabalho de marketing com a maior importadora do Brasil, onde realizei junto com a Julianna Santos o evento Eroticpoint Bussines, cujo formato foi levado para os Seminários na Erotika Fair a partir de então.

A A.T.E.N.A.S – sigla de Agência Tecno-Estratégica para Negócios e Ação Segmentada, nasceu da união e principalmente da admiração mutua entre os diversos colaboradores do mercado erótico brasileiro, que individualmente realizaram trabalhos que fizeram a historia do mercado e que em conjunto acreditam ser possível realizar grandes transformações que trarão principalmente aos consumidores brasileiros um ganho considerável de qualidade e satisfação em relação aos produtos consumidos e fabricados no país.

Um outro lado muito importante desta conjugação de talentos é ampliar a visão empreendedora do setor, organizar e pautar diversos temas de real interesse do setor, tais como potencial, alcance e tendências mercadológicas. Finalizando, minha trajetória e a de todos os colaboradores apenas está iniciando, a A.T.E.N.A.S tem aproximadamente e apenas 90 dias de existência, (data original do texto 28/10/2009) neste período realizou:

  • Um seminário de 4 dias atendendo cerca de 200 empreendedores,
  • Lançamos um guia de negócios contando a história do mercado brasileiro ,
  • Lançamos um site-blog,
  • Lançamos um hotsite em flash para divulgação do Seminário,
  • Lançamos um twitter,
  • Estamos presentes no flickr,
  • Escrevemos 27 artigos,
  • Agendamos o lançamento de mais 7 livros, sendo 2 já programados para lançar em Abril e outubro de 2010,
  • Agendamos 4 eventos para 2010,
  • Contamos com cerca de 13 colaboradores efetivos coordenados por Julianna Santos e mais uma dezena em fase de associação ao projeto,
  • Recebemos mais de 150 e-mails de consulta sobre o mercado,
  • Estamos preparando o maior mapeamento do mercado erótico brasileiro para 2010
  • Entre outras coisinhas que irão surgir ao longo do ano de 2010…

2) Quanto dinheiro esse mercado virtual fatura em média anualmente? Você acha que está em expansão? Quanto % cresce por ano?

Uma das funções do mapeamento do mercado que ocorrerá é para definitivamente pontuar esta questão, pois ela não é exata e os números são nebulosos, somente quem realmente viveu dentro do setor virtual tem condição de fazer uma aproximação. Esta aproximação deve estar dentro da cifra de 20 milhões por ano, isto apenas para o mercado de consumo de produtos de fabricantes rotulados especificamente como eróticos. Ainda é muito recente a incursão efetiva do atacado erótico no mundo virtual, existe uma resistência na atuação totalmente virtual do atacado, e ainda caminhamos lentamente, esta é a razão porque as lojas virtuais de sexshops se tornaram distribuidores de sexshops ou mesmo atravessadores no setor, porque os distribuidores e atacadistas demoraram a iniciar seus projetos na web.

Com relação a expansão, eu diria a você que nunca se viu tamanho crescimento do mercado virtual erótico no Brasil, são cerca de 10 novas lojas abertas mensalmente, sejam elas bem estruturadas ou não, sejam sites de e-commerce, ou blogs ou mesmo contas em leilões virtuais.

3) Acha que dá para fazer alguma comparação com os EUA?

Quando iniciamos a década estávamos assim: consumo americano 3% da população, consumo brasileiro 0,5% da população. Alcançamos níveis incríveis de consumo de produtos eróticos, mas veja bem, o que nós chamamos de produtos e o que a população chama de produtos possui certas disparidades até ideológicas.

Existe uma diferença entre consumir produtos ditos erótico sensuais e entrar numa sexshop, pois no Brasil a diferença é enorme. Este fato gera tendências interessantes como pontuar tanga fio dental como produto erótico, sendo que na Europa é lingerie do dia-a-dia de qualquer mulher. O mercado brasileiro é muito diferente e atípico, pois a mulher brasileira é sem igual no mundo inteiro, enquanto as americanas pensam no orgasmo, ou seja, em seu próprio prazer, a consumidora brasileira tem o seu prazer ligado ao outro, ou seja, ela quer ter prazer, mas quer ter prazer e proporcionar prazer para o parceiro.

4) Conte-me um pouco mais de como vai funcionar a parceria com o Sebrae para mapear esse mercado? De que maneira isso será feito?

Esta parceira ainda está sendo formatada, mas invariavelmente passará pela capacitação empresarial focada no mercado erótico. O primeiro passo é sim mapear todo o mercado, ou seja, Quem são? Quantos são? Como atuam? O que pensam? Tudo isto será pesquisado e avaliado para podermos em primeiro lugar compreender a realidade do mercado e a seguir buscar atender as necessidades destes empresários e empreendedores. Como o projeto é grandioso, ainda estamos estudando a melhor maneira de atingir todos os nossos pesquisados, pois amostragens já existem, porem devido à diversidade cultural e de acesso as informações entre as diversas regiões do país, não alcançamos todos as vertentes necessárias para traçar um panorama fidedigno.

5) Quais são os três maiores sex shops virtuais em atividade no Brasil?

———————————— Resposta Ocultada

6) Qual é a média de vendas mensal de um grande sex shop virtual?
———————————– Resposta Ocultada

7) Além do dia dos Namorados, existe alguma outra sazonalidade forte?

Algumas lojas vendem bem no final do ano por causa dos amigos secretos e festas de final de ano. (precisa ter muita variedade para se diferenciar das outras lojas virtuais).

(8) Qual é o investimento necessário para a criação de uma sex shop virtual?

Depende do que se pretende, ser pequeno, ser médio ou ser grande. A verdade é que o retorno é sempre proporcional ao investimento, principalmente em publicidade na própria web.


9) Normalmente, além de Google, em que tipo de mídia esses sex shops investem em publicidade? Algum site específico?

Atualmente não existe diferença de atuação de mídias, não importa o que o negocio virtual vende, os canais melhores, são os melhores canais. Google obviamente para todo o mercado digital, os outros são os mesmos para outros negócios: Buscapé, Shop UOL, IG, Terra, Redes sociais.


10) Na web também se evidencia cada vez mais um domínio do público-alvo feminino? E a idade desse público?

Principalmente acima dos 25 anos, mas afirmo que as tendências na web se sustentam também neste mercado virtual. Seguindo as estatísticas do e-bit, seguirá as tendências do mercado erótico virtual.


11) Você acha que a discrição permitida pela web é um fator determinante na hora da compra de produtos eróticos on-line?

Importantíssimo. A grande força do mercado erótico brasileiro tem alguns protagonistas.

1- as revistas femininas (que iniciaram o processo de busca do prazer feminino com suas matérias e chamadas de capa).

2- os programas femininos (abriram espaço para a divulgação do setor através de cursos sensuais e profissionais que ensinam a sensualidade, pompoarismo e conquista).

3- a Internet, o grande canal de informação mundial e globalizado, baseado muitas vezes no anonimato, oferecendo assim a possibilidade de explorar seus desejos e necessidades na privacidade do lar.

4- eventos como a parada gay, mas principalmente a feira erótica no Brasil.


12) Os produtos são na maioria das vezes importadas ou temos fornecedores no Brasil?
Cada classe de público consumidor possui seu mix de produtos muito especifico e focado principalmente em valor. Por serem os produtos eróticos importados de melhor qualidade, eles são restritos também a classe AA, A e B. Produtos listados como Luxury Sex são exemplos deste tipo, as marcas Lelo, Envolved e Calexotics transformaram os produtos em verdadeiras grifes eróticas. Temos também produtos chineses vendidos a granel, como os personais marfim, bolinhas de pompoar, dedeiras e capas de silicone, atendendo o publico iniciante no consumo.

Existem também fabricantes no Brasil, a força do mercado brasileiro se dá principalmente na cosmética erótica e nas próteses realísticas, onde realmente estas categorias apresentam alto consumo.

Muito obrigada pela sua ajuda!

Beijos,

Tainá

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Postado por admin   @   4 December 2009 2 comentarios
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2 Comentarios

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Comentarios
Jun 1, 2010
10:43
#1 Glaucineia Rodrigues :

Bom dia! Achei mto interessante essa conversa e gostaria de obter mais informações pois estou desenvolvendo um plano de negócios para uma sex shop virtual. Preciso descobrir parcerias e fornecedores.
Aguardo então!
Obrigada!
Glaucineia.

Jun 8, 2010
16:27

Glaucia, obrigada por suas palavras. Dá uma busca aqui nos artigos, pois colocamos sempre temas interessantes, se precisar de algo mais focado, envie-nos um email para julianna@atenasonline.com.br para que a Julianna Santos possa verificar suas necessidades de consultoria. Abraços e sucesso.

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