Há mais de 20 anos, Cazuza cantava “O meu prazer agora é risco de vida, meu sex and drugs não tem nenhum rock ‘n’ roll”. Dava pra sentir, pela canção do poeta, que a AIDS tinha chegado para cortar o barato daquela década perdida.
A AIDS mobilizou o mundo que começava a se globalizar. Com ares de pandemia, governos de países desenvolvidos despontaram em pesquisas e campanhas de prevenção. O Brasil, que ainda se readaptava à democracia se destacou no programa de prevenção e assistência aos infectados. Especialistas diziam que uma frente como aquela só tinha sido aberta na história anteriormente na campanha de vacinação de Osvaldo Cruz.
Considerada uma epidemia sob controle, a AIDS ainda existe, ainda degenera seus portadores e como a maioria das síndromes causadas por vírus, pode sofrer mutações. Hoje os portadores têm uma qualidade e expectativa de vida melhor do que há décadas atrás. Países mais pobres ainda sofrem com a disseminação do vírus, gerando inclusive questionamentos sobre a interferência de países desenvolvidos na cultura desses países assistenciados.
A AIDS evidenciou a cultura sexual global. Revelou-se o sexo precoce em países africanos, os homossexuais foram rotulados como principal grupo de risco. Homens casados levaram o vírus para casa, trazido das zonas de meretrício ou mesmo de saunas gays.
Os artistas compraram essa briga e se mobilizaram nas campanhas. Alguns portadores do HIV noticiaram publicamente. Então, a AIDS tornou-se problema de todos e todos precisavam se prevenir.
O mercado erótico não ficou de fora. A nossa própria Erotika Fair, filha da “geração camisinha” sempre contou com a orientação de ONG’s e especialistas em educação sexual. Em 2005, no estacionamento do Mart Center, uma camisinha de 20 metros de altura recebiam os visitantes.
Então, ele, o preservativo, ou ela, a camisinha passaram a ser um acessório mais do que necessário. Nas bolsas e nas carteiras.
E todos ajudaram. Os fabricantes passaram a desenvolver vários tipos e tamanhos. Não demorou muito tempo para que houvesse a preferência por essa ou aquela marca. As professoras de artes sensuais ensinaram às suas alunas aproveitarem o sexo oral para colocar a camisinha de forma sexy. As lojas distribuiram ou colocaram em evidencia nos balcões.
Hoje, a Jontex mantem um site, o “SexPert” http://www.jnjbrasil.com.br/jontex/ com informações importantes sobre o universo sexual. A Hora H faz ações diretas com profissionais do sexo. A Olla lançou o Dia do Sexo (6/9) para lembrar que o prazer não é mais risco de vida.
A AIDS pode ter levado muita gente boa desse mundo. Mas aproximou os casais, lembrou-nos do autocuidado e depois, que cada um seja responsável por sua liberdade.
Então, que o 1º de dezembro não seja só mais uma data no calendário mundial. Vamos celebrar esse dia como um grande marco na história da humanidade. Um dia pra se pensar em combater a síndrome e não os seus portadores. Um dia para recordar a todos que a prevenção ainda é a nossa única cura, porque ainda não existe vacina. Que o sexo seguro é muito mais gostoso.
Mais info:
Celebridades na luta contra HIV
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