
Além de subjetivas formas fálicas ou linhas sinuosas que lembram corpos femininos e cores quentes que inspiram paixão, a primeira e mais aparente intersecção objetiva do sexo com o design deu-se no âmbito da moda. A trajetória histórica de produtos como os corpetes e salto-altos é marcada por uma “sexualização” destes, como demonstrou Valerie Steele, historiadora americana, no livro “Fetiche: moda, sexo e poder”. Segundo Steele o sapato com salto-alto surgido a partir do de plataforma em meados do século 17 sempre esteve ligado à fetiches sexuais pelo uso daquele como instrumento de penetração, especialmente por prostitutas. Com a moda de passarela, este item do vestuário passou a fazer parte do mainstream (“corrente principal” em português) e sua associação com o sexo foi amenizada, transformando-se em uma sensualidade sutil.
Já os produtos que hoje chamamos de “brinquedos sexuais” tiveram sua origem nos consultórios psiquiátricos: segundo a historiadora americana Rachel P. Maines no seu livro “The Technology of Orgasm” o primeiro vibrador, datado do início do século 17, era movido a vapor e utilizado por psiquiatras como uma massagem terapêutica para a histeria e tinha como finalidade, na verdade, provocar um orgasmo a paciente. Ainda de acordo com a historiadora, com o estabelecimento da indústria os pesados e complicados vibradores a vapor foram substituídos por modelos elétricos portáteis vendidos em farmácias que, na década de 40 do século 20 com a aparição deste em filmes pornográficos, logo caiu no gosto popular, sendo mal visto dentro da comunidade médica como instrumento e passando a integrar um grupo de produtos envoltos nos tabus sexuais.
Com o desenvolvimento de áreas de pesquisa sobre o sexo, tanto na medicina quanto na psicologia, no início do século 20 foi possível compreender melhor o orgasmo e prazer, especialmente da mulher, e com o aparato tecnológico da indústria desenvolver produtos que melhor atendessem à este propósito. O encaminhamento deste setor para o design deu-se naturalmente, porém só nos últimos anos que esta questão vem sendo discutida abertamente com publicações como o livro “Sex in Design” de 2007, coletânea organizada a designer espanhola Lou Andrea Savoir com trabalhos de design de produto e gráfico que permeiam a sexualidade humana. Outra ação que ressalta a importância que este tema vem atingindo dentro do design é a exposição intitulada “Sex in design, Design in sex”, ocorrida em abril de 2008 no Museum of Sex de Nova York, contando com nomes como o designer Karim Rashid.
Fontes:
MAINES, Rachel P. The Technology of Orgasm: “Hysteria,” the Vibrator, and Women’s Sexual Satisfaction. Nova York: Johns Hopkins University, 1999.
SAVOIR, Lou Andrea. Sex in design. Barcelona: Tectum, 2007.
STEELE, Valerie. Fetiche: moda, sexo e poder. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.
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